segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Uma rodada de afirmação

Pitter Ellwanger


Depois de um mês curando a dor de cotovelo por mais um título do Inter - e tendo que suportar a corneta sem fim dos amigos colorados -, volto a escrever num momento um pouco menos doloroso para nós, gremistas. A zona do rebaixamento aos poucos vai ficando para trás. Com 8 pontos de vantagem sobre o primeiro no Z-4, o Grêmio já consegue respirar sem aparelhos.
As vitórias contra Corinthians e Avaí mostram a equipe de Renato Portaluppi em um novo patamar de esperança. Porém, o vacilo contra o Palmeiras, dentro do Olímpico, pode ter afastado o Tricolor de ambição maior no Brasileirão. O jogo desta quarta-feira, contra o Flamengo de Silas, é mais uma oportunidade - quem sabe, a última - de buscar, de fato, uma afirmação neste campeonato. É notório que o time cresceu de rendimento, mas ainda vem oscilando, principalmente dentro do Olímpico, onde o Grêmio consolidou um longa invencibilidade no ano passado. Esse ano, ao contrário, já são quatro derrotas em casa. Portanto, vencer o Flamengo é fundamental para a confiança voltar.

Brasileirão e Mundial


Para o Internacional, a rodada do meio de semana também pode representar uma afirmação na corrida pelo título. Mesmo com o Mundial na cabeça, a boa sequência de resultados tem permitido ao Colorado seguir no páreo sem muito esforço. Se vencer o Atlético-PR fora de casa, tendo os retornos de Tinga e Giuliano, o Inter chegará com moral elevado para uma espécie de “final antecipada” no próximo domingo, contra o Corinthians, no Beira Rio. Esses dois jogos vão mostrar se vale a pena insistir no Brasileirão ou se já é hora de pensar no Mundial de Clubes 2010.

sábado, 14 de agosto de 2010

Coitado do Renato...

Pitter Ellwanger

Que fria - fria não, que gelada! - em que o maior ídolo da história do Grêmio foi se meter... A fase é tão ruim, que ele já assumiu sendo desclassificado na 1ª fase da Copa Sul-Americana, dentro do Estádio Olímpico, contra o “poderoso” Goiás.
É evidente que ele não tem culpa de nada - e nem terá se o time voltar a perder para o Goiás amanhã. O problema do Grêmio é estrutural e de longa data. Nos anos 2000, o clube conquistou uma Copa do Brasil logo de cara e desde então vem se arrastando de forma melancólica. Fora um e outro resultado milagroso, como a Batalha dos Aflitos e a final da Libertadores 2007, a verdade é que o Grêmio afundou no abismo que hoje o separa do co-irmão. Falta de planejamento e gestões políticas equivocadas arruinaram o até então maior clube de futebol do Sul do país.
Na caminho inverso, o Inter tratou de lamber as feridas das frustradas décadas de 80 e 90 para renascer de forma grandiosa e avassaladora. E um detalhe: o planejamento foi tão bem feito, que o clube está trilhando um caminho sem volta. É claro que o Inter não vai ser campeão sempre, mas é praticamente impossível que volte ao fundo do poço, com oscilações de eletrocardiograma, como acontece hoje com seu maior rival. A diferença está na base sólida erguida pelo grupo que hoje comanda o clube.
Como dizem por aí, um é a razão de ser do outro, e vice-versa. Portanto, o Grêmio deve mirar o exemplo do Inter, assim como o próprio Inter fez no passado de glórias do Grêmio.
Fábio Koff foi exemplo para Fernando Carvalho, que hoje deve ser exemplo para os dirigentes que virão. Nem tudo está perdido, mas o suplício dos gremistas parece que não terá fim...
Em tempo 1
Não creio em rebaixamento. Renato Portaluppi tem peito para chacoalhar o combalido vestiário tricolor.
O problema é que, ter de se contentar em não cair, é muito pouco para uma torcida tão grande e apaixonada.
Em tempo 2
Se por um lado o time do Inter teve (muito) mais sorte do que competência até a final da Libertadores, por outro lado não dá para negar a superioridade colorada contra o Chivas, um time modesto que não deve oferecer resistência em Porto Alegre.
É duro admitir, mas o Internacional já é bicampeão da América.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sorte tem fim?

Pitter Ellwanger

Pode parecer dor de cotovelo, mas a verdade é que o Inter vem tendo (muito) mais sorte do que competência nesta temporada. É o time mais “rabudo” da história do futebol. Vamos aos fatos:

1) O Inter fez uma campanha modestíssima na 1ª fase da Libertadores da América. Era um time comum e pouco confiável.
No Brasileirão, antes da parada da Copa do Mundo, estava atrás até do Grêmio, “namorando” a zona do rebaixamento e sem muita perspevtiva de futuro nas duas competições.

2) Nas oitavas de final, passou sufoco contra o Banfield, mas classificou. Na quartas, venceu apertado o Estudiantes no Beira Rio e levou uma “saranda” na Argentina, mas acabou achando um gol no finalzinho, em meio à fumaceira dos sinalizadores.

3) Até a parada da Copa, esse era o Inter, que na semifinal teria pela frente o São Paulo. O tricolor paulista havia desbancado o Cruzeiro, um dos favoritos ao título, com duas atuações de luxo. Era o São Paulo, portanto, o grande favorito - e provável finalista - se a Libertadores tivesse tido sequência logo adiante.

4) Pois a parada da Copa representou mais um “golpe de sorte”, fazendo o Inter renascer e o São Paulo naufragar.
E o mais curioso e enigmático de tudo: o renascimento veio pelas mãos de Celso Roth. Se isso não é sorte...

5) Veio o confronto contra o São Paulo, que no Beira Rio foi covarde, e o Inter acabou merecendo a vitória - mais pela mediocridade paulista do que por seus próprios méritos.
No Morumbi, porém, a sorte colorada parecia chegar ao fim quando Renan falhou no primeiro gol são-paulinho. Mas os astros, definitivamente, só conspiram a favor do Inter. O gol de Alecsandro, desviando uma falta mal batida por D’Alessandro, só tem explicação em movimentos ocultos, sobrenaturais.

6) Na bastasse tudo isso, ainda caiu no colo a classificação do Chivas para a final da Libertadores. Como o time mexicano é convidado e não pode representar a América do Sul, o Inter já está no Mundial de Clubes. É coisa de outro mundo...

Só resta perguntar:
- Sorte tem fim?
No caso do Inter, parece que não...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Mano Menezes é o cara!

Pitter Ellwanger

Tirando a baita trapalhada da CBF, foi decepcionante a resignação de Muricy Ramalho em não ir para a Seleção Brasileira.
Até que de início simpatizei com a escolha, mas no final as coisas acabam dando certo nem seja por um caminho torto. Muricy, ao que parece, não tentou sua liberação, simplesmente acatou a decisão do clube - ou melhor, do patrocinador do clube.
Não que ele não tenha sido correto, mas sua aparente indiferença em relação a um convite tão grandioso foi uma decepção.
Felipão era o preferido, mas está fora de cogitação no momento. Portanto, a escolha de Mano Menezes foi a mais acertada. Muricy tem experiência e currículo, mas Mano é melhor técnico. É mais um gaúcho que surgiu como grande treinador no Grêmio e pode levar o Brasil ao título mundial, como fez Felipão em 2002.

E a primeira convocação?
Ficou dentro da ideia de renovação pela qual deve passar a Seleção Brasileira. Mano vai começar a testar os craques (e promessas) da nova geração, como Neymar, Ganso e Hernanes.
Além disso, a dupla Gre-Nal também foi lembrada com Victor (Grêmio) e Sandro (Inter), sem contar Pato e Lucas, que são daqui.
A propósito do goleiro Victor...
Espero que a nova convocação sirva para ele superar de vez o trauma de não ter ido à Copa e voltar a jogar como antes. No empate contra o Cruzeiro, nosso grande goleiro falhou de novo...

O Circo da Fórmula 1

Pitter Ellwanger

A marmelada no GP da Alemanha feriu de forma cruel a ética do esporte de competição. É repugnante a forma como a Ferrari conduziu a vitória do espanhol Fernando Alonso.
Faz tempo que a Fórmula 1 perdeu encanto. A época das grandes rivalidades, como de Ayrton Senna e Alain Prost - às vezes desleal, é verdade -, ficou no passado, para tristeza dos amantes do automobilismo. Hoje, quem comanda o jogo é o business.
Não condeno Felipe Massa - a questão é contratual. Mas ele também tem culpa, assim como teve Rubinho Barrichello no episódio com Michael Schumacher em 2002.
O jogo de equipe faz parte do “negócio”, mas para o bem do esporte, Massa e Barrichello podiam ter subvertido a regra e dado um sopro de esperança a quem sofre com a ilusão do esporte.
É uma pena... Não é a toa que chamam a Fórmula 1 de CIRCO!!!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Até quando?

Pitter Ellwanger

Antes da Copa, um amigo disse que o Grêmio ia lutar para não cair. Achei graça da piada, mas hoje vejo que ele tinha razão.
É duro admitir, mas o Grêmio vai lutar contra o rebaixamento, principalmente se insistir com o técnico Silas. Como eu gostaria de morder a língua, mas não vejo luz no fim do túnel.
Silas parece muito “bonzinho”. É nítido que perdeu o comando do vestiário faz tempo, e a direção novamente se mostra omissa, com o mesmo discurso enfadonho que não leva a lugar nenhum.
O primeiro semestre foi enganador, pura ilusão.
O recesso da Copa mostrou que falta capacidade ao treinador. Ele repete erros de escalação, queima jogadores jovens e insiste em veteranos desgastados. É inadmissível depois de meio ano ele ainda não ter um time definido. Falta pulso, falta comando.
O tempo dele já esgotou!
Agora, o jeito é esperar... a coisa piorar...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Espanha, grande campeã

Pitter Ellwanger

A lógica do futebol nem sempre é tão lógica assim. Mas não há como negar que a Espanha mereceu ser campeã do mundo.
A Copa veio para coroar uma geração de grandes jogadores.
É um time com toque de bola envolvente, que joga no ataque, preocupado antes de mais nada em vencer - único objetivo do futebol -, e não em como evitar a derrota.
Talvez não tenha sido o futebol mais bonito visto na África, pois a Alemanha, quando quis (e conseguiu) jogar, foi insuperável.
Mas um futebol de campeão não pode depender de lampejos ou grandes momentos; é preciso constância. E isso a Espanha mostrou que tem de sobra, principalmente quando vergou a própria Alemanha na semifinal. A superioridade dos espanhóis não vem de agora; eles já haviam levantado a Eurocopa em 2008.
Portanto, houve justiça no final. Prevaleceu o futebol na essência, “ofensivo”, como atestam os principais comentaristas do país, mas que curiosamente termina com a campeã de pior ataque na história das Copas do Mundo: 8 gols em 7 jogos.

Craque da Copa
O prêmio seria de Villa (Espanha) ou Sneijder (Holanda) se um deles tivesse brilhado na grande final.
Mas como estrelas apagadas no último ato, foi feita justiça ao grande destaque individual desta Copa. O uruguaio Diego Fórlan carregou sua seleção ao honroso 4º lugar.

Chuteira de Ouro
Artilherio e melhor jogador jovem da Copa, Thomas Müller, 20 anos, sintetiza a renovação da Alemanha, que desde já desponta como ameaça em potencial ao sonho do hexa brasileiro em 2014.