sexta-feira, 24 de junho de 2011

Na trilha do Santos de Pelé

Pitter Ellwanger

O calcanhar de Ganso no primeiro gol do Santos contra o Peñarol é emblemático. A grande jogada, muito bem conduzida por Arouca e concluída na categoria de Neymar, é o detalhe que justifica a conquista da Libertadores da América pelo clube paulista. Talvez o Santos de 2011 até nem seja melhor do que o Santos de 2010, campeão da Copa do Brasil. Mas uma geração com o futebol de Neymar e Paulo Henrique Ganso não merece menos do que isso.

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Sorte dos demais brasileiros – principalmente da dupla Gre-Nal –, que em tese terão um adversário a menos no Brasileirão. Mesmo em condições de brigar pelo título como favorito, o Santos terá dificuldades em segurar seus craques, sem contar o relaxamento natural de quem já garantiu vaga na Libertadores do ano que vem e tem pela frente um Mundial de Clubes. Aliás, está pintando um jogão em dezembro: Barcelona de Messi x Santos de Neymar.

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É o Santos de Neymar seguindo a trilha do Santos de Pelé.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dias melhores virão?

Pitter Ellwanger

Qualquer comentário sobre a dupla Gre-Nal na arrancada do Brasileirão já ficou chato e repetitivo. Depois de cinco rodadas, não há novidades. Os problemas são os mesmos e a falta de soluções está virando “doença crônica”, tanto para um, quanto para outro. Ninguém sabe se desse mato vai sair coelho!
No Grêmio, o ataque com Lins e Viçosa “ataca os nervos” da torcida. A direção fez estardalhaço com as contratações de Gilberto Silva, Miralles e Marquinhos logo depois da derrota para o Corinthians, mas parece que voltou a dormir em berço esplêndido. É muito pouco! Ainda falta qualidade, até Odone reconhece. O curioso é que ele, o presidente, já deveria ter encontrado soluções. Ou a reclamação foi só autocrítica?
Pelos lados do Beira Rio, a turbulência deu uma acalmada, mas é visível a falta de padrão de jogo e o clima de animosidade entre o técnico Paulo Roberto Falcão e algumas estrelas do plantel colorado. Sem contar que o Inter também precisa de reforços!

Não tem nada de positivo, então?
É claro que tem!
As boas atuações de Saimon e Mário Fernandes, no Grêmio, e do goleiro Muriel, no Inter, servem de alento para a torcida e de alerta para os dirigentes. Valorizar as categorias de base pode ser a melhor saída em tempos de crise técnica e financeira.

O líder São Paulo é imbatível?
O São Paulo é o melhor exemplo de investimento na base, tanto que lidera o Brasileirão 2011 com 100% de aproveitamento e um time cheio de garotos. Mas isso não quer dizer que o tricolor paulista é imbatível e já começa a encaminhar o título, como projetam alguns apressadinhos da grande imprensa. Das cinco vitórias até aqui, duas – contra Atlético-MG e Ceará – devem ser creditadas diretamente da conta do veterano Rogério Ceni. Além disso, nos próximos 40 dias o São Paulo perderá pelo menos cinco jogadores para as seleções sub-20 e principal. Entre eles, o volante Casemiro e o meia Lucas, um dos craques do momento.

E a final da Libertadores da América?
Se eu tivesse que apostar, apostaria no Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso. O clube brasileiro é franco favorito na decisão contra o Peñarol, hoje à noite, no Pacaembu, principalmente depois do 0 a 0 em Montevidéu. Só um detalhe: O Inter também era franco favorito contra esse mesmo Peñarol no Beira Rio...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os problemas de Grêmio e Inter

Pitter Ellwanger

A dupla Gre-Nal vive seu “inferno astral”. Os problemas de Grêmio e Internacional são diferentes, mas os resultados praticamente iguais. Os times ainda patinam no Brasileirão e as chances de uma grande campanha no segundo semestre vão ficando para trás.
No Grêmio, Renato Portaluppi tem o comando do vestiário, mas (ainda) faltam opções de qualidade. No Inter, acontece justamente o contrário: Falcão padece da falta de comando sobre um grupo qualificado e cheio de medalhões, ultimamente mais interessados em derrubar técnicos do que adversários. São situações opostas que levam ao mesmo destino: uma campanha pífia até aqui!

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Como já escrevi, a falta de resultados pode vitimar Falcão mais cedo do que se imagina, apesar das suas boas ideias. A teoria não vinga sem a prática, e o eterno ídolo colorado ficou muito tempo afastado desta segunda. Qual a solução? Talvez não exista! O excesso de cordialidade e elegância do Rei Roma pode fazê-lo sucumbir às pressões – mais internas do que da própria torcida.

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Já Renato, parece vítima do excesso de intimidade com boleiros. Sem contar o habitual egocentrismo, algo comum no universo dos treinadores de futebol, mas que no seu caso é amplificado. Ele resgatou o Grêmio das sombras de um possível rebaixamento no ano passado para uma classificação heróica à Libertadores. Como? Fazendo o simples, o feijão com arroz! Por isso, é inconcebível improvisar Gabriel no meio – só para agradar um “bruxo” – e jogar somente com um atacante. Renato foi covarde no Morumbi!

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Eis os problemas da dupla Gre-Nal... Haverá solução?

Ronaldo, eterno fenômeno

Pitter Ellwanger

Ronaldo foi um dos maiores jogadores de todos os tempos. Um fenômeno, literalmente, dentro e fora de campo. Como ninguém, viveu os prazeres e dissabores da bola – forma, aliás, que deve acompanhá-lo na aposentadoria. É o maior artilheiro da história das Copas (15 gols) e na Seleção Brasileira só fica atrás de Pelé.
Mas Ronaldo foi muito mais do que seus feitos no futebol. Ao mesmo tempo em que parecia acima dos “pobres mortais” com a bola nos pés, também fez o povo brasileiro se identificar com a sua história de vida cheia de erros e acertos, marcada pela eterna “volta por cima”. Ronaldo cometeu deslizes, como todo mundo. Porém, depois de cair, sempre soube levantar, como poucos. Por isso, além de gols e jogadas geniais, Ronaldo deixa sua marca como um sujeito boa praça, gente como a gente, FENOMENAL!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Futebol sem comparação

Pitter Ellwanger


Comentar a segunda rodada do Brasileirão, depois de mais um show do Barcelona, faz o nosso futebol parecer sem graça.
A turma de Lionel Messi transformou o grande Manchester United num time de várzea, encurralado e sem ação, tamanha sua superioridade. O craque argentino dispensa comentários. Terminou como artilheiro da Champions League, com 12 gols em 13 jogos, e mais de 50 na temporada inteira. Na comparação inevitável, talvez ele até seja melhor do que foi Maradona, mas ainda falta uma Copa do Mundo para provar.
O detalhe, porém, é que o Barcelona não se resume a Messi. Os craques se multiplicam em campo. O que dizer do passe de Xavi para o gol de Pedro? E o golaço de Villa, hein? Sem contar Iniesta, Piqué, Busquets, Daniel Alves e por aí vai. Com certeza é o melhor time que a minha geração viu jogar até hoje.


Voltando à realidade...
Ainda levará um tempo para se saber do que a dupla Gre-Nal é capaz neste Brasileirão. O Grêmio venceu, mas com um gol contra e passando sufoco para segurar o resultado no segundo tempo. Já o Inter voltou a decepcionar, perdendo em casa para o Ceará e deixando escapar a chance de uma boa arrancada.

O Grêmio é um time remendado, com vários lesionados e ainda sem reforços à disposição. A tônica da superação, que se viu ontem, será uma constante até Renato poder contar com todo o plantel à disposição e fechado. O grupo atual é deficiente, mas a esperança de futuro é positiva. As contratações feitas até agora são interessantes – pelo menos no papel. Portanto, qualquer análise mais profunda não é adequada pela falta de consistência.

No Inter, o problema é outro. O grupo é qualificado, mas parece viciado pela continuidade. Com pouco mais de um mês de trabalho, Falcão já sente o peso da dificuldade para implantar suas boas ideias de futebol. Como disse um amigo meu, “o problema do Falcão é que ele acha que todo jogador é inteligente como ele era”. Concordo com a afirmação. Porém, mais do que isso, penso que Falcão é um teórico que ficou muito tempo longe da prática e que pode ser vitimado pela realidade do futebol de resultados.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Brasileirão começa morno

Pitter Ellwanger


Já virou rotina nos últimos anos. O Brasileirão começa morno, sem nenhuma equipe que desponte como grande favorita ou com uma atuação de luxo que possa preocupar os demais rivais.


É tudo muito igual e indefinido ainda.


É claro que os clubes que vem de um bom primeiro semestre – caso do Santos – aparecem em vantagem, mas qualquer projeção é prematura. O próprio Santos, com foco na Libertadores, deve jogar descontado as primeiras rodadas. E assim também acontece com aqueles times ainda em formação, com reforços para chegar. O campeonato é longo, e talvez só depois de dez, onze rodadas seja possível diagnosticar quem de fato pode brigar pelo título.

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A dupla Gre-Nal deixou a desejar na estreia. O empate colorado na Vila Belmiro pode ser considerado um bom resultado, mas esperava-se mais do Inter contra a equipe reserva do Santos. Por isso a decepção da torcida. Mas Falcão tem um grupo qualificado, em condições de colocar o Internacional novamente nos trilhos.
Pelo lado do Grêmio, a derrota para o Corinthians só reafirma uma preocupação escancarada no Olímpico desde o início do ano. O grupo é muito deficiente, não tem peças de reposição e conta com titulares contestáveis, principalmente na defesa e no ataque.
Renato não tem culpa. A decepção fica por conta da direção tricolor, na figura do presidente Paulo Odone. Ele era a esperança de uma retomada vitoriosa, mas quase seis meses se passaram e o grupo não teve nenhum acréscimo de qualidade em relação ao ano passado. Pelo contrário, só perdeu jogadores importantes.

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E assim, depois das derrotas no Gauchão e na Libertadores, o Grêmio começa mais um Brasileirão aos trancos e barrancos, sem muita expectativa de futuro. Coitada da torcida gremista...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A revolução do Gre-Nal

Pitter Ellwanger



O Inter é o campeão gaúcho com justiça. Mas também seria justo se o Grêmio tivesse levantado a taça. Foi tão grande o equilíbrio de forças na final do Gauchão 2011, que o título acabou decidido nos pênaltis, na segunda série de cobranças alternadas.
Entre vencedores e vencidos, o que fica destes dois clássicos trepidantes, com 10 gols e outros tantos desperdiçados, eu diria que é um novo padrão para o Gre-Nal. Grêmio e Internacional, via de regra, sempre protagonizaram confrontos truncados, de muita marcação e poucos gols. Os times entravam em campo mais preocupados em não perder. Pois Falcão e Renato Portaluppi estão revolucionando o clássico de maior rivalidade do país.
A esperança é de que o futebol ofensivo que se viu no Beira Rio e no Olímpico passe a ser uma constante na história do Gre-Nal. Foram dois jogos bem abertos, com as duas equipes buscando o gol até o último segundo. Se antes os torcedores contavam nos dedos as chances de cada lado num clássico, hoje até o compacto dos melhores momentos ficou pequeno para tanta emoção.
E tudo isso só tem um nome, ou melhor, dois: Falcão e Renato. São técnicos que gostam de ver seus times jogando para frente, atacando em busca do gol. Quando erram, também não têm medo de corrigir. Aliás, é certo que dificilmente vão errar por omissão.
Talvez minha impressão seja passageira, afinal, o futebol é mais do que dinâmico, como deu para perceber nos dois jogos da final. Mas é certo que o esporte só tem a ganhar com esta revolução.